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Piumhi perde uma das suas figuras mais ilustre

Joaquim Tomé – o casamenteiro da cidade

10:18:09, JAN 01, 2020 Atualizada em 18/01/2020 às 10:01:35 Fonte: Arquivo Jornal Ponto

        

         Piumhi perde uma das suas figuras mais ilustre

 

O dia amanheceu cinza com a partida do juiz de Paz Joaquim Tomé de Andrade que estava prestes a completar seus 100 anos em outubro. Ele faleceu na madrugada de hoje em sua residência, e deixa pra nos um grande legado de homem simples que soube viver e sempre levou a vida com muita sabedoria! O corpo do juiz de paz está sendo velado em Piumhi na Funerária Gethsemane e seu enterro está marcado para as 16hs no cemitério da saudade em Piumhi.

 

Segue matéria do Jornal Ponto do   Sr. Joaquim Tomé escrita pela sua neta a jornalista Lidi Siles

 

Joaquim Toméo casamenteiro da cidade

 

         Quando se fala em união civil, a única imagem que vem à mente é de Joaquim Tomé de Andrade, o juiz de paz da cidade que já coleciona mais de quatro e mil e trezentos casamentos atualmente.

         Nascido em Doresópolis (MG) no ano de 1920, é filho de João Tomé de Andrade e Maria Deodata de Andrade, ambos falecidos e viúvo de Maria Benedita de Andrade.

         Mesmo com as dificuldades que sempre teve que enfrentar na infância e adolescência, tendo que desenvolver desde cedo a profissão de trabalhador rural, Joaquim Tomé nunca deixou o carisma e a simpatia em segundo lugar e hoje é reconhecido por essas qualidades, as quais ele se destaca.

         Chegou a ser prefeito de Doresópolis, quando a mesma foi emancipada, mas não permaneceu por muito tempo no cargo. Até que anos mais tarde assumiu a função de juiz de paz e atuou por três anos e meio no cargo naquele município.

         Em 1978, mudou-se com a família para Piumhi com a esposa e os filhos que ainda estavam solteiros e trabalhou como comerciante e produtor rural para garantir o sustento dos mesmos.

         Após sete anos, foi nomeado juiz de paz em Piumhi, numa época em que o cargo não era muito disputado devido ao salário, mas seguindo o exemplo do pai e de um irmão resolveu aceitar a vaga. E de lá até aqui não parou mais.

         Sua função de casamenteiro fez com se tornasse uma personalidade conhecida nos álbuns de casamento e num dos momentos mais importantes da vida de tantos que pelas suas mãos e canetas já passaram.

         Um fato curioso durante esses 30 anos em que atua na profissão é que já chegou a realizar casamentos de três gerações, ou seja, de pais, filhos e netos.

         Apesar da baixa remuneração e de o cargo lhe impedir de realizar casamentos dos familiares, Joaquim Tomé não desanima. “Aprendi a gostar da profissão desde cedo e pretendo continuar nela enquanto tiver saúde e força para sair de casa e ir ao cartório”.

           Esse homem que tornou-se piumhiense com o tempo, foi também ministro da eucaristia, realizou batizados e encomendou muitas almas para o céu por aproximadamente 27 anos, além de ter sido doceiro, profissão que o tornou conhecido pelos famosos pés-de-moleque.

         Com tanta vitalidade e energia, ele ainda encontra tempo para ler livros e jogar cartas à noite e nos finais de semana com os amigos apenas por entretenimento. Sua paixão pelo jogo está estampada nos vários troféus que já conquistou e em seu rosto quando disputa alguma partida.

         Dessa forma, hoje aos 90 anos, ele fez e continua fazendo parte do dia-a-dia dos piumhienses, levando consigo duas características fundamentais: a simplicidade e o carisma que o tornam uma figura tão amada e reconhecida na cidade carinho.

         O juiz de Paz Joaquim Tomé Andrade teve motivos de sobra para comemorar nos últimos dias. No domingo, 05, exerceu sua cidadania, ajudando a decidir o futuro do país. As 9h em ponto lá estava ele na porta da seção onde vota para escolher os candidatos a deputado, governador, senador e presidente.

Já na sexta-feira, 10, ampliou seu currículo de casamentos. Chegou à marca de 5 mil registos de uniões civis. Quem esteve presente nesse grande momento foi à tetraneta Laura Andrade, que veio de Belo Horizonte junto com o bisavô, a avó e a mamãe Patrícia. E para encerrar a agenda de eventos, completou seus 94 anos na quinta-feira, 16, que foram comemorados no sábado junto aos familiares em sua residência em grande estilo.

 

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