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PONTO, PONTOS E CRÔNICAS

Ponto é uma pequena marca ou mancha.

11:27:44, JAN 01, 2020 Atualizada em 04/02/2020 às 10:02:30 Fonte:

PONTO, PONTOS E CRÔNICAS

Ponto é uma pequena marca ou mancha.

 

Mas, também é um sinal gráfico que pode ser utilizado quando se termina uma frase ou na demonstração de que uma palavra fora abreviada.

Divagando mais, ponto pode ser cada uma das operações parciais de uma sutura médica, por exemplo, “levou cinco pontos na barriga”.

Tem ainda o significado do local onde as pessoas esperam por algum transporte público, como ponto de ônibus ou de táxi.

E pode ser utilizado em relação ao ponto comercial no sentido de dizer “a loja do Fulano está num excelente ponto”. E o livro ou dispositivo que nessa loja é utilizado pra marcar as entradas e saídas dos empregados também é chamado de ponto.

Ademais, não se deve esquecer do ponto de partida, que é o começo de alguma coisa. Ou do ponto fraco que é a falha ou defeito de alguém.

Além desses, existe o ponto das criações culinárias referindo-se ao grau de consistência de um doce ou calda de açúcar: “tem que ferver até o ponto, pois se deixar passar encaroça”.

Evitando maiores delongas com os vários significados da palavra, deixa eu finalizar com dois últimos significados: reticência e ponto de vista.

Reticência é o conjunto de três pontos seguidos que constituem um sinal de pontuação indicador da suspensão do discurso ou do pensamento. Passa a ideia de incerteza. Ou seja, reticente é o que é indeciso; é o que vacila ou fica exitando sem saber para onde ou pra que lado vai.

Ponto de vista, por sua vez, é mais subjetivo do que o que é reticente, pois trata-se do modo de ver ou de compreender as coisas variando de pessoa para pessoa, mas de uma maneira mais positiva e decidida. Por exemplo, dependendo do ponto de vista a verdade pode não ser a mesma pra duas pessoas: o que representa verdade para uma não significa que obrigatoriamente será visto da mesma forma por outra pessoa. Mas ambas estão decididamente certas que estão certas.

Na mistura desses dois últimos significados (dos pontos de vista com o que é reticente) reside a alegria de ser de um cronista, pois a crônica não passa de um retrato verbal particular dos acontecimentos que ocorrem à volta dele, cronista. E tais acontecimentos podem ser urbanos, rurais, particulares, públicos ou de qualquer outro tipo ou forma que se queira retratar.

No dia a dia um bom cronista consegue perceber impressões, ideias ou visões de realidade que a maioria das pessoas não conseguem perceber. Para isso obrigatoriamente haverá que ser bom observador, característica que aliada à incisão de sua perspectiva inusitada fará com que ele encontre o tema de seus textos.

Tá certo que as crônicas podem abranger qualquer tipo de assunto, mas escrevê-las tratando de temáticas leves e bem-humoradas indubitavelmente as tornam mais agradáveis de serem lidas.

Por outro lado, cada cronista tem seu estilo próprio no uso das palavras, obviamente influenciado pelos autores que lera em sua vida até que começasse ele mesmo a escrever. E uma crônica bem escrita faz com que o leitor concorde com a visão de seu autor como se ele, leitor, já pensasse anteriormente daquela forma, mesmo que ele não perceba que sua visão somente se tornou óbvia depois que leu o que estava escrito.

Falando sobre meu estilo pessoal, consigo transportar o leitor pra dentro de minhas crônicas de forma que ele participe das histórias como se caminhasse a meu lado enquanto acontecem os fatos que ele lê. Ou como se me  ouvisse falar nas análises geradoras de minhas reflexões.

E falando em reflexões, já percebi que as mulheres gostam de ler o que é escrito dessa forma, preferentemente entremeadas com sonhos ou sentimentos de paixão. Já os homens se agradam dos casos em que o astro da crônica se dá mal e é ridicularizado.

Detalhando meu estilo, gosto de contar histórias utilizando preferentemente a narração como forma de apresentar os personagens, o tempo e o espaço onde as coisas acontecem sempre buscando contá-las num enredo curto. E tento adequar a eventual análise do leitor ao também eventual tipo de visão contemporânea, pois isso fará com que ele sinta a história de verdade.

Partindo dessa noção, consigo com que meus leitores passem sufoco com os casos tenebrosos, delirem com os finais hilários e cheguem a sentir atração por personagens românticos ou descritos como bonitos.

A experiência me ajudou a conseguir isso, pois com o tempo descobri que a parte inicial de toda história mostra a pretensão do que desejo criar no leitor, intelectual e emocionalmente falando. A atmosfera criada no início da crônica aliada ainda ao tom e ao meu estilo de escrita originarão no leitor expectativasobre o tipo de história que será contada: humor, paixão, medo, etc.

Detalhando mais, digo que as primeiras linhas e parágrafos aguçam a percepção do leitor de maneira que essa percepção lhe cause interesse em ler a história até o fim e, de preferência, terminar a leitura sentindo-se satisfeito com o desfecho dessa história, mesmo que inesperado. Para isso é importante despertar sua curiosidade de maneira a convencê-lo acreditar que lhe será gratificante ler a crônica até o fim.

E verdade seja dita: não é fácil envolver o leitor com pouco texto.

Finalizando, outra verdade seja dita: se você me leu até aqui significa que lhe agucei a percepção e despertei sua curiosidade lhe fazendo crer que estaria satisfatoriamente contente nesse exato momento.

 

Espero que isso tenha ocorrido...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Cândido Coelho Jr.

 

Cândido Coelho Jr.

Crônicas e Causos.
Escritor, Bacharel em Direito, pós-graduado em Processo Civil, Direito Civil, do Trabalho e Direito Público.
Autor do livro NA BALA DA PALAVRA, Crônicas e Letras. São Paulo: Editora Scortecci, 2014.


Cronista apaixonado pela vida, é cristão presbiteriano, humorista nato e tem a família como base de toda e qualquer sociedade.
Por outro lado tem uma memória dotada de refinada capacidade de observação mesclada à mente fértil, que funciona como poderosa usina de sonhos.
Sustenta que escreve pra dizer que sabe do que gosta e gosta do que sabe.

canditur@uol.com.br

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