FLÁVIO BOLSONARO SE DECLARA “VERDADEIRO PRESIDENTE ELEITO DO BRASIL” EM CARTA PUBLICADA NOS EUA
Senador contesta resultado eleitoral, acusa autoridades de perseguição política e afirma que deixou o país para continuar sua atuação como líder da oposição. Dados eleitorais, porém, não sustentam a alegação de que a prorrogação da votação teria alterado o resultado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta após desembarcar nos Estados Unidos com a família, na qual se autodenomina o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusa autoridades brasileiras de promoverem uma suposta fraude eleitoral.
No documento, Flávio agradece ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente norte-americano Donald Trump e ao povo dos Estados Unidos pela acolhida. Ele afirma que deixou o Brasil por considerar que enfrenta perseguição política e que pretende continuar sua atuação política a partir do exterior.
ACUSAÇÃO DE FRAUDE ELEITORAL
Um dos principais argumentos apresentados pelo senador é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou excepcionalmente o horário de votação no segundo turno das eleições de domingo (25), permitindo que seções eleitorais ainda abertas funcionassem até as 19h.
Flávio afirma que a medida teria beneficiado seu adversário e questiona a legalidade da decisão. Também sustenta que Lula teria conquistado mais de 10 milhões de votos adicionais em relação ao primeiro turno em circunstâncias que considera suspeitas.
Entretanto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que aproximadamente 34,3 mil votos foram registrados após as 17h em todo o país, o equivalente a cerca de 0,03% do total. Lula venceu a disputa por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Portanto, os registros posteriores às 17h não seriam suficientes para alterar o resultado.
A prorrogação também não comprova, por si só, a existência de fraude eleitoral. [[CNN Brasil e Aos Fatos]]
CRÍTICAS AO STF E ALEGAÇÃO DE PERSEGUIÇÃO
Na carta, o senador acusa integrantes do Judiciário de promoverem uma perseguição política contra ele e sua família. Ele afirma que não existe mandado de prisão contra si e classifica eventuais medidas judiciais como parte de uma suposta estratégia para silenciar a oposição.
Flávio também menciona o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e compara sua situação à de figuras históricas que atuaram politicamente fora de seus países, como Rui Barbosa e Charles de Gaulle.
As acusações contra autoridades brasileiras são apresentadas pelo senador em sua manifestação. A carta, por si só, não constitui comprovação das irregularidades alegadas.
“ESTE É APENAS O COMEÇO”
Ao final do documento, Flávio afirma que pretende continuar sua atuação política e pede que a comunidade internacional não trate como normal o que considera um cenário de restrições democráticas no Brasil.
“Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil”, escreveu o senador.
A manifestação ocorre após a derrota eleitoral e a saída do parlamentar do país com a família. No texto, ele não reconhece a legitimidade do resultado e reafirma a intenção de continuar se apresentando como liderança política nacional.
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