Em torno do buraco de oito metros em que o garoto Pedro Augusto Ferreira Alves, de oito anos, estava preso desde o último domingo (21), uma multidão acompanhou cada detalhe do trabalho feito pela equipe do Corpo de Bombeiros na cidade de Carmo do Paranaíba, na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Mas apesar de todo o esforço empenhado no resgate, que durou 17 horas, a criança não resistiu e morreu em seguida. Todo o desdobramento do caso abalou a todos, incluindo quem trabalhou com a expectativa de que Pedro fosse retirado com vida.
A operação foi capitaneada pelo tenente-coronel Thiago Lacerda Duarte, comandante do 12º Batalhão de Bombeiros Militar em Patos de Minas, que revela a dificuldade que foi trabalhar em um terreno tão instável, onde o garoto poderia ser soterrado a qualquer momento.
“Embora no Corpo de Bombeiros a gente já tivesse atendido ocorrências desse tipo no Estado, essa ocorrência foi diferenciada porque o tipo de terreno em que trabalhamos oferecia instabilidade. Então ele limitava alguns tipos de técnicas para abordagem de acesso à vítima”, descreve.
Veja mais sobre o caso:
A área em questão é um aterro de um loteamento. Informações iniciais dão conta de que o buraco, usado para instalação de tubulões, não estava adequadamente sinalizado e era protegido apenas por uma tábua. Pedro estava brincando com amigos quando caiu no fosso de oito metros de profundidade e apenas 30 centímetros de diâmetro.
Quando chegaram ao local, às 17h de domingo, os militares tentaram, a princípio, puxar o garoto para fora. No entanto, a situação foi se tornando mais complexa com o passar das horas.
“A primeira coisa que fizemos foi uma ancoragem, na tentativa de puxá-lo. Mas como a perna dele travou na queda, o garoto ficou preso. Depois tentamos uma escavação lateral, mas depois percebemos que a área não oferecia estabilidade e poderia desabar sobre ele”, detalha o tenente-coronel Duarte.
‘Ele estava consciente’
Esgotadas as tentativas dos bombeiros locais, uma equipe da corporação especializada neste tipo de serviço foi acionada por volta das 22h. O reforço partiu de Belo Horizonte e chegou de avião antes da meia noite no município que fica a cerca de 372 km da capital mineira. Neste momento a população já acompanhava de perto o trabalho de resgate.
Após a chegada do reforço, a estratégia mudou. Dali em diante, os bombeiros e voluntários começaram a cavar ao lado do buraco até chegar em um ponto um pouco abaixo de onde a criança estava. A escavação terminou às 9h45 desta segunda-feira (22), quando Pedro foi puxado para fora do bucaro.
O tenente-coronel Duarte revela que o garoto foi forte durante todo o resgate, mas que foi perdendo a consciência com o passar das horas. Antes do amanhecer, os bombeiros já haviam perdido contato com ele.
“Ele estava consciente. Em todo o momento ,ele não demonstrou desespero nem ansiedade. Ele demonstrava algumas falas desconexas, que queria tomar banho e estava sentindo dor, mas o tempo todo estava conversando com a mãe e os parentes que nos acompanhavam”, detalha Duarte, que prossegue. “Foi no amanhecer que gente perdeu o contato verbal com e presumimos que ele pudesse estar dormindo”, diz.
Ao longo das 17h de resgate, o garoto recebeu oxigênio líquidos, como suco de água, para que não perdesse a consciência. No momento em que ele é retirado do buraco, foi constatada a parada cardiorrespiratória e, por isso, ele foi logo colocado em uma ambulância. Nas imagens, é possível acompanhar o desespero da mãe.
A morte foi confirmada logo nos minutos seguintes, pela Secretaria Municipal de Saúde de Carmo do Paranaíba.
Comoção
Aplaudidos pela população após o resgate, os bombeiros que atuaram na ocorrência ficaram arrasados ao saber da morte de Pedro, como revela o chefe da operação. “Todos os bombeiros vão para o trabalho com o mesmo objetivo, de fazer o possível que estiver ao alcance para salvar a pessoa, mesmo que isso custe a própria vida. Nós fizemos a nossa parte, mas o sopro da vida do homem está na mão de Deus”, comenta o tenente-coronel Duarte.
“Essa é uma ocorrência que fica e que todo mundo que atuou vai lembrar. É triste, mas isso também nos incentiva a continuar trabalhando com qualidade e dedicação”, finaliza o militar.
A mãe e outros parentes próximos de Pedro estão sendo auxíliados por psicólogos da prefeitura de Carmo do Paranaíba.
Outras notícias