O caso é investigado pela Polícia Civil e outros seis óbitos relacionados ao mesmo petisco foram registrados.
"Não existem palavras que exemplifiquem o vazio e a tristeza que estamos sentindo com a perda da Amora", disse a arquiteta Lhais Soares Andrade, tutora da cadelinha Amora que morreu após ingerir um petisco supostamente contaminado. O caso é investigado pela Polícia Civil e outras seis mortes relacionadas ao mesmo petisco foram registradas.
Amora era uma cadelinha da raça spitz alemão, que morava há dois anos e quatro meses com a família da arquiteta em Piumhi; a perda da Amora abalou a família. A cadelinha morreu após nove dias passando mal depois de ter ingerido o petisco. Segundo a família, essa tinha sido a primeira vez que a cadelinha havia comido um petisco.
“Nós a compramos para minha filha em plena pandemia, a gente brincava que ela [Amora] era como se fosse uma filha para mim e irmã caçula pra minha filha, que tinha 4 anos na época. Ela realmente se tornou um membro da nossa família, que infelizmente perdemos por essa fatalidade”, desabafou.
Adoecimento
De acordo com Lhais, o petisco "Snak Cuidado Oral" foi adquirido em uma loja em Belo Horizonte, no dia 16 de agosto. No dia seguinte ela ofereceu o alimento para a Amora e a partir disso, começou a notar que a cadelinha estava com um comportamento atípico.
“Ela recusava alimentação e água, e começou então a ter vômitos, diarreia, e no dia seguinte apresentou quadros de convulsões”, explicou Lhais.
A família então procurou um veterinário e a cadelinha passou por uma série de exames. Entretanto, o quadro de saúde dela piorou a cada dia.
“No dia 19 de agosto ela foi internada em Piumhi com vômito, diarreia e convulsão. No dia 21 foi constatado em exames a creatinina alta e insuficiência renal. Após um ultrassom ela foi diagnosticada também com peritonite e foi transferida para um nefrologista em Belo Horizonte”, conta.
Internações e morte
A cadelinha ficou internada em Belo Horizonte do dia 23 ao dia 26 de agosto. Ela iria precisar de uma transfusão de sangue após ter sido diagnóstica com anemia severa, mas a família não conseguiu doadores na capital mineira e teve que retornar para Piumhi.
“Não conseguimos bolsas disponíveis, portanto voltou para Piumhi no dia 26. Conseguimos um doador aqui, foi feita a transfusão de sangue, mas infelizmente ela não resistiu e veio a óbito no dia 27. Foram nove dias de internação até que ela veio a óbito na clínica aqui na cidade”, lembra a tutora.
A família acredita que a morte está relacionada ao consumo do petisco.
“Não tive dúvida nenhuma que era em função do petisco, porque ela sempre foi saudável e nunca teve problemas de saúde relacionados à alimentação antes”, conclui Lhais.
O que se sabe sobre o petisco
Os petiscos identificados até o momento com possíveis indícios de contaminação são: Dental Care, Every Day e a Petz Snack Cuidado Oral. Todos são de fabricação da empresa Bassar.
No dia 2 de setembro, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que foi identificada a presença de monoetilenoglicol em um dos petiscos entregues à delegacia por tutores de animais que passaram mal ou morreram.
A substância, que é tóxica e pode levar à insuficiência renal, já tinha sido detectada por meio de necropsia realizada pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em um dos cãezinhos mortos.
Paralelo às investigações da polícia, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) informou que também instaurou um procedimento para apurar o caso e identificou irregularidades em uma das empresas que fornecem matéria-prima para a Bassar, fábrica de petiscos para animais interditada após a detecção de substância tóxica em uma das amostras de seus produtos.
Um ofício do MAPA aponta o envolvimento inicial dos lotes AD5053C22 e AD4055C21 na descoberta do monoetilenoglicol pelos exames de laboratório da Polícia Civil de Minas Gerais. Esses lotes contêm a matéria-prima propilenoglicol, da empresa Tecno Clean Industrial LTDA. O Ministério segue acompanhando o caso.
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