Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) não veem fundamento para anular o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação contraria a posição de Flávio Bolsonaro (PL), que não reconheceu a derrota e anunciou que pretende recorrer à Justiça para tentar invalidar o resultado.
Entre os principais argumentos contrários à contestação estão a ausência de elementos que justifiquem a anulação e a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos. Lula recebeu 64,2 milhões de votos, correspondentes a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59,8 milhões, ou 48,21%.
· Questionamentos sobre o horário de votação
A controvérsia envolve a decisão de ampliar o horário de votação em meio a relatos de dificuldades no transporte público e de problemas provocados por fortes chuvas em diferentes regiões do país.
A medida foi alvo de decisões judiciais que geraram divergências entre integrantes do TSE e do STF. O ministro Cristiano Zanin determinou a extensão do horário até as 19h em todo o território nacional, quando parte das urnas já havia sido encerrada e a apuração estava em andamento.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manter abertas as seções que ainda funcionavam e, posteriormente, esclareceu que não seria possível reabrir urnas que já haviam encerrado a votação e emitido seus boletins.
Ao anunciar a vitória de Lula, Nunes Marques afirmou que as providências adotadas não provocaram alterações na apuração. Apesar disso, integrantes das duas cortes reconheceram, nos bastidores, falhas e divergências na condução do episódio.
· TSE rebate declaração sobre fiscais do PL
Outro ponto levantado por Flávio Bolsonaro foi a suposta retirada de fiscais de seu partido da sala-cofre durante a apuração. O TSE classificou a declaração como falsa e explicou que o espaço não é aberto à visitação.
Segundo o tribunal, fiscais partidários, observadores internacionais, advogados e representantes do Ministério Público podem acompanhar a totalização dos votos em outras áreas destinadas a esse acompanhamento, como a Sala de Totalização.
Dados do TSE analisados pelo g1 indicam que 35.521 votos foram registrados após as 17h de domingo, no horário de Brasília. O número representa 0,81% da diferença de votos entre Lula e Flávio, segundo o levantamento baseado nos registros de 497.897 seções eleitorais.
Outro argumento contrário à contestação é que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado a prorrogação da votação até as 19h em municípios de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, afetados por fortes chuvas.
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