A disputa municipal deste ano terá o maior número de prefeitos aptos a se reeleger da história. Ao todo, 4.377 mil poderão disputar um novo mandato no próximo dia 15 de novembro, equivalente a 78,6% das 5.568 cidades do País. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que aponta como motivo a alta taxa de renovação ocorrida quatro ano antes, em 2016, quando menos da metade dos chefes dos Executivos locais que se candidataram conseguiram se reeleger.
Na região, ocorre o contrário. Apesar da maior parte estar apta a disputar o pleito, prefeitos das maiores cidades – Passos, São Sebastião do Paraíso e Piumhi – não estarão participando da disputa. Historicamente, o índice de prefeitos reeleitos vem caindo a cada eleição e, em 2016, foi de 21,4%, o mais baixo desde 2000 – a primeira vez em que a recondução foi permitida. A disputa de quatro anos atrás também foi a primeira em que o financiamento das campanhas por empresas foi proibido, o que motivou a entrada de muitos “neófitos” na política, principalmente empresários que podiam bancar seus gastos eleitorais.
Na avaliação de Eduardo Stranz, consultor da CNM, apesar da maior quantidade de prefeitos aptos a se reelegerem, a tendência é que o índice de renovação nas cidades também seja alto neste ano.“A população demanda por melhores serviços públicos e enxerga o ‘Estado’ na sede da prefeitura, mas a falta de recursos no âmbito local é enorme. Assim, sempre o gestor que está no poder tem maior desgaste, acarretando que poucos consigam se reeleger”, afirmou Stranz, um dos coordenadores do estudo da entidade.
Os atuais prefeitos têm até o dia 26 para registrarem suas candidaturas. Na quarta-feira, 16, foi o último dia para os partidos os indicarem. A reeleição no Executivo foi aprovada em 1997, por iniciativa do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em artigo publicado no Estadão no último dia 5, FHC afirmou ter errado ao dar aval à medida, que lhe permitiu ficar mais quatro anos no poder. O “mea culpa” fez a discussão sobre acabar com a possibilidade da recondução ganhar força no Congresso. Levantamento do jornal mostrou que líderes de 16 dos 24 partidos representados na Câmara e no Senado apoiam a mudança na regra.
O prefeito de Porto Velho (RO), Hildon Chaves (PSDB), é um dos políticos que diz defender o fim da reeleição. Apesar disso, ele decidiu concorrer novamente neste ano para se manter no cargo, segundo ele, pela “excepcionalidade” da pandemia da covid-19. “Eu não ia concorrer, mas o País deve passar um momento muito difícil no ano que vem”, disse. “Acho que qualquer prefeito de qualquer cidade do Brasil que estiver apto deveria concorrer.”
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